quinta-feira, 17 de junho de 2021

Amapá tem novo corte no fornecimento de energia

As causas ainda estão sendo apuradas

© Carlos Garcia Rawlins/Reuters


RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O fornecimento de energia foi interrompido em 13 das 16 cidades do Amapá na tarde desta quarta (16), por nova queda no sistema de transmissão que conecta o estado ao resto do país. As causas ainda estão sendo apuradas.


De acordo com o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), o desligamento ocorreu às 16h05, no trecho da linha de transmissão entre Laranjal do Jari (AP) e a capital Macapá. O restabelecimento foi iniciado às 16h21 e concluído às 17h59.

O ONS diz que "atuou prontamente para iniciar a recomposição do sistema e para que o completo fornecimento de energia fosse restabelecido o mais rápido possível" e que as causas ainda serão analisadas.

A concessionária do sistema de transmissão, a LMTE (Linhas de Macapá Transmissora de Energia) diz que houve "desligamento momentâneo" no trecho entre Laranjal do Jari e Macapá mas a recomposição foi automática.

A empresa diz que as causas estão sendo apuradas, mas "possivelmente" o problema ocorreu por fatores externos à sua operação. A suspeita é que a linha tenha reagido a oscilação na potência de geração de energia no estado.

A queda ocorreu enquanto o Senado discutia o projeto de lei de capitalização da Eletrobras, se tornando alvo de críticas de senadores opositores à venda da estatal.

"Esse absurdo ocorre exatamente no dia da apreciação da MP do governo que quer privatizar a Eletrobras", escreveu o senador Randolfe Rodrigues (Sustentabilidade/AP). "Sucateamento, impunidade e o povo paga pela venda das nossas riquezas!", completou.

Falhas no sistema de transmissão de energia do estado já provocaram dois apagões, o maior deles resultado de um incêndio em uma subestação em novembro de 2020.

Naquela ocasião, os moradores do estado ficaram 21 dias com fornecimento precário de energia. A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) viu falhas na manutenção da LMTE e multou a empresa em R$ 3,6 milhões.

O ONS também foi multado pela ocorrência, em R$ 5,7 milhões. Para a agência, o operador falhou ao não adotar medidas preventivas, mesmo tendo ciência que a subestação responsável pelo incidente operava de forma precária, com um de seus três transformadores fora de serviço havia quase um ano.

O último corte no fornecimento ocorreu em abril, quando queda no sistema de transmissão deixou as mesmas cidades sem luz por cerca de três horas. As causas do problema ainda não foram divulgadas pelo operador.

O Amapá é conectado ao sistema interligado nacional de energia por linhas de transmissão que partem da usina hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, rumo a Manaus, com uma perna até Macapá.

O Amapá tem três hidrelétricas, que podem gerar até quase três vezes o consumo do estado mas operavam com capacidade reduzida quando o transformador explodiu em novembro.

Em relatório sobre o apagão de 2020, o ONS pediu estudos para a construção de uma nova subestação no estado, criando mais um sistema de redundância. A contratação das novas linhas está em discussão na Aneel.

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