segunda-feira, 13 de junho de 2022

Senado dos EUA articula para aumentar controle de armas após série de atentados

A proposta anunciada inclui aumentar a rigidez das verificações de antecedentes para compradores de armas de fogo com menos de 21 anos

© Pexels

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Senadores democratas e republicanos dos Estados Unidos anunciaram neste domingo (12) que vão propor aumentar as restrições ao acesso a armas no país, após a série de ataques em massa das últimas semanas.

A proposta anunciada inclui aumentar a rigidez das verificações de antecedentes para compradores de armas de fogo com menos de 21 anos, incrementar a repressão a casos em que pessoas com a ficha limpa compram e repassam armas a terceiros que não poderiam obtê-las de modo legal, apoiar ordens de intervenção estadual em crises e distribuir recursos para aumentar a segurança das escolas.

A ideia foi considerada ainda modesta diante pressão que o Parlamento tem sofrido por setores da sociedade americana, sobretudo após o atentado que terminou com 22 mortos no Texas em maio. No entanto, fato de ter sido articulada tanto por democratas quanto por republicanos, mais refratários ao aumento do controle de armas, dá outro peso à medida.

"Nosso plano salva vidas ao mesmo tempo que protege os direitos constitucionais dos americanos que cumprem a lei", disse o grupo de senadores, liderado pelo democrata Chris Murphy e pelo republicano John Cornyn, em comunicado. "Esperamos obter amplo apoio bipartidário e transformar nossa proposta de bom senso em lei".

Em comunicado, o presidente americano, Joe Biden, afirmou que o projeto "não faz tudo o que acho necessário, mas reflete passos importantes na direção certa" e classificou as medidas, se aprovadas, como a mudança de legislação de controle de armas mais significativa em décadas.

"Com apoio bipartidário, não há desculpas para atrasos e nenhuma razão para que não deva passar rapidamente pelo Senado e a Casa", disse.

O acordo foi anunciado um dia depois que dezenas de milhares de pessoas se reuniram em Washington em protesto por aumento no controle do acesso a armas. Além da capital dos Estados Unidos, o March for Our Lives (MFOL), um grupo fundado por estudantes sobreviventes do atentado de 2018 em uma escola secundária de Parkland, na Flórida, anunciou 450 manifestações em outras partes do país, incluindo Nova York, Los Angeles e Chicago.

Desde o início do ano, a ONG Gun Violence Archive, que monitora as ocorrências com armas de fogo no país, registrou 260 ataques em massa, com 297 mortos e 1.122 feridos.

O mais grave deles aconteceu em 24 de maio, em uma escola do Texas terminou com 19 crianças e 2 professoras mortas, além do próprio atirador. O autor, um homem de 18 anos, portava um rifle AR-15 e, antes de ser responsável pelo pior massacre em uma instituição de ensino infantil no país em uma década, também disparou contra a avó.

O caso na cidade de Uvalde se seguiu a outro episódio, em Buffalo, no estado de Nova York, no qual dez pessoas foram mortas num supermercado. O autor teve motivações racistas e deve ser indiciado por terrorismo doméstico. Após o ataque no Texas, o presidente Joe Biden fez um discurso emocionado no qual criticou o lobby pró-armas no país e defendeu o controle no acesso a armamentos.

No último dia 9, três pessoas foram mortas em Smithsburg, no estado de Maryland, na costa leste dos EUA, segundo a polícia. Uma quarta pessoa ficou gravemente ferida. O ataque aconteceu em um galpão da Columbia Machine, multinacional que produz equipamentos para indústrias como estruturas de concreto e máquinas de linhas de montagem. De acordo com as forças de segurança, o atirador tem 23 anos e trabalhava no local.

No fim de semana anterior, ao menos outras duas ações do tipo ocorreram, com um saldo de nove mortos e 28 feridos, entre Filadélfia, na Pensilvânia, e Saginaw, em Michigan.

No dia 2, dois ataques foram relatados. O primeiro ocorreu no estacionamento de uma igreja em Ames, em Iowa, durante uma missa. Ao menos duas mulheres foram mortas, e o atirador se matou na sequência. O segundo ocorreu em Racine, no estado de Wisconsin, durante um velório, com dois mortos.

Antes, no dia 1º, um atirador matou quatro pessoas em Tulsa, no estado de Oklahoma. Segundo a polícia informou no dia seguinte, o homem mirava na ação um médico que havia operado suas costas.

Todos os episódios elevaram a pressão para que o Congresso americano e o presidente Biden proponham e debatam projetos que limitem o acesso a armas ou, ao menos, imponham a exigência de que o comprador apresente antecedentes, como histórico policial.

A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, controlada pelos democratas, aprovou na quarta-feira (8) um conjunto abrangente de medidas de segurança de armas, mas a legislação não tem chance de avançar no Senado, onde os republicanos se opuseram aos limites por infringirem o direito de portar armas da Segunda Emenda da Constituição do país.

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