O glúten está presente em variados produtos alimentares, sendo que há pelo menos dez mil anos que se consome trigo e o glúten que este contém
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Um estudo realizado por pesquisadores portugueses e estrangeiros concluiu que o melhoramento genético do trigo "pode não ser causa do aumento" da doença celíaca. Um grupo de investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real, da Universidad Politécnica de Madrid (UPM), na Espanha, e do Institut National de la Recherche Agronomique (INRA), França, relevou em comunicado, que "há variedades de trigo modernas, fruto do melhoramento genético, com cerca de sete vezes menos toxicidade para os doentes celíacos que outras".
Estas conclusões resultam da tese de doutoramento do pesquisador José Miguel Ribeiro, orientada pelos docentes e investigadores da UTAD Gilberto Igrejas e Fernando Nunes e ainda Marta Rodriguez-Quijano, da Universidad Politécnica de Madrid.
"Os resultados da investigação indicam que, para além do potencial genético que o trigo encerra, as práticas de melhoramento desta cultura - que procuram desenvolver variedades de trigo com melhores índices de qualidade - não contribuem para o aumento da toxicidade destas variedades", explicou o investigador José Miguel Ribeiro.
Desta forma, acrescentou, "cai por terra" uma das hipóteses que se pensava ter contribuído para o aumento da prevalência da doença celíaca na população humana, na qual se supunha que o "melhoramento do trigo era a causa do aumento da doença".
As conclusões apontam que "estas variedades podem não ter contribuído para a prevalência da doença celíaca, nos últimos 50 anos", afirmou, por sua vez, o docente e investigador da UTAD Gilberto Igrejas.
Segundo explicaram os responsáveis, "através da quitosana, um ingrediente natural com características biocompatíveis e biodegradáveis, foi desenvolvida uma tecnologia com capacidade para reduzir a carga tóxica do glúten para os celíacos, sem prejuízo para a funcionalidade tecnológica dos produtos, permitindo a continuidade de transformação em pão, bolos, massas, pizzas, entre outros produtos alimentares".
O trigo é um dos principais cereais usados na alimentação do homem e representa uma importante fonte de proteínas e energia na dieta humana. O glúten está presente em variados produtos alimentares, sendo que há pelo menos dez mil anos que se consome trigo e o glúten que este contém.
No entanto, para pessoas com doença celíaca, a exposição ao glúten pode desencadear uma reação imunológica no intestino que causa prejuízo na absorção dos nutrientes. A doença atinge praticamente 1% das populações em todas as sociedades ocidentais. Com informações da Lusa.

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