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terça-feira, 10 de julho de 2018

Câmara suspende recesso e vai analisar impeachment de Crivella

Três pedidos de afastamento do prefeito já foram protocolados; assunto deve ser discutido na quinta (12)

© Reprodução

A oposição ao prefeito do Rio, Marcelo Crivella, conseguiu reunir 17 assinaturas de vereadores, nesta terça-feira, para suspender o recesso da Câmara Municipal e deve discutir o impeachment do político em sessão extraordinária já na próxima quinta-feira (12).
"Bancada do PSOL consegue reunir as 17 assinaturas necessárias para acabar com o recesso na Câmara e votar o impeachment de Crivella. Só a luta muda a vida!", escreveu o vereador Tarcísio Motta, em seu perfil no Facebook.
A aposta da base é que a oposição não terá os votos necessários - 2/3 da casa - para levar o processo adiante. "Orientei o líder do governo, Dr. Jairinho, para que a base assine o pedido da oposição. Queremos as assinaturas e encerrar logo a questão em plenário", disse o secretário da Casa Civil, Paulo Messina (PRB), que decidiu permanecer no cargo e ajudar na articulação a favor de Crivella.
Principal nome do governo, a ponto de ser chamado informalmente de "primeiro-ministro", conforme lembra O Globo, Messina tinha pedido demissão na tarde da última quarta-feira.
Três pedidos de afastamento do prefeito já foram protocolados, sendo dois na Câmara Municipal - pelo vereador Átila Nunes (MDB) e pelo deputado estadual Marcelo Freixo (Psol), junto com o diretório do Psol -, e um no Tribunal de Justiça, pelo Sindicato dos Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Sisep).
Todos citam improbidade administrativa de Crivella, por ter utilizado o Palácio da Cidade como local para uma reunião com lideranças evangélicas, no último dia 4, com promessas de vantagens. O mesmo motivo suscitou, também hoje, pedido de investigação pelo Ministério Público (MP), feito por vereadores de oposição.
Entenda o caso
Na última quarta-feira (4), o prefeito Marcelo Crivella fez uma reunião fora da agenda oficial no Palácio da Cidade com mais de 250 pessoas. Na ocasião, o prefeito do Rio afirmou que pode resolver problemas dos fiéis. Crivella disse que contratou 15 mil cirurgias de catarata para serem realizadas até o final deste ano. O prefeito também anunciou facilidades para cirurgias de varizes e vasectomia, e chegou a indicar dois de seus assessores para resolver estes problemas.
Marcelo Crivella também se dispôs a desenrolar problemas com pagamentos de IPTU atrasados de igrejas evangélicas. “Nós temos de aproveitar que Deus nos deu a oportunidade de estar na prefeitura para fazer esses processos andarem”, disse Crivella na ocasião.
Toda a reunião foi gravada por dois repórteres do jornal O Globo, que participaram do encontro sem se identificar.
Ministério Público
Um grupo de vereadores de oposição esteve nesta segunda-feira (9) no Ministério Público para pedir que o órgão abra investigação contra Crivella, por uso indevido do Palácio da Cidade. Os parlamentares pediram ao procurador-geral de Justiça, Eduardo Gussem, que Crivella seja investigado por improbidade administrativa, por ter promovido uma reunião fechada com membros de igrejas evangélicas do Rio.
“Encaminharemos a representação para as estruturas internas correspondentes para que adotem as devidas providências, principalmente no que diz respeito à violação da laicidade, pois o estado é laico e todos os cidadãos devem ser tratados em igualdade de condições. Também será apurada a possível prática de algum crime”, afirmou Eduardo Gussem após a reunião com os vereadores.
O procurador-geral de Justiça reafirmou que o Ministério Público fluminense não faz qualquer distinção entre religiões. Para Gussem, o que não pode acontecer é a administração pública privilegiar determinado grupo religioso.
Resposta da prefeitura
Em nota, a prefeitura do Rio afirmou que a reunião, ocorrida no último dia 4, entre Crivella e os evangélicos, teve como objetivo prestar contas e divulgar serviços, como mutirão de cirurgias de catarata e varizes, e que não há qualquer irregularidade na ação do prefeito em indicar uma assessora para orientar a população. Com informações da Agência Brasil.
Via...Notícias ao Minuto

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