quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Morreu o pianista de jazz Lyle Mays. Fundador do Pat Metheny Group

O pianista e teclista norte-americano, de jazz, Lyle Mays, de 66 anos, morreu na segunda-feira, em Los Angeles, anunciou o guitarrista Pat Metheny no seu sítio na Internet

@DR

"É com muita tristeza que anunciamos a morte de nosso amigo e irmão Lyle Mays (1953-2020). Ele morreu em Los Angeles, depois de uma longa batalha com a doença, cercado pelos seus entes queridos", lê-se na página de abertura do Pat Metheny Group, de que Lyle Mays era um dos fundadores.

Nascido numa pequena cidade do Wisconsin, em novembro de 1953, Lyle Mays formou-se na Universidade do Texas e tocou com a orquestra de Woody Herman até se encontrar com Pat Metheny, em 1974, com quem viria a fundar um dos mais antigos e bem sucedidos grupos de jazz, The Pat Metheny Group.
O álbum 'Watercolors', editado em 1977 pela 'etiqueta' alemã ECM, marcava o encontro da dupla, a quem se juntaram então o contrabaixista Eberhard Weber e o baterista Danny Gottlieb.
Um ano depois, 'The Pat Metheny Group' assinalava a formação da banda, ainda com Mark Egan, no baixo. Só em 1980, com a chegada do baixista Steve Rodby ficaria formado o 'núcleo duro' do grupo, que se manteria inalterado durante mais de 35 anos.
Juntos gravam o álbum 'Offramp' (1982), que viria a ser distinguido com o Grammy de melhor disco de jazz de fusão. Pelo meio ficavam 'American Garage' (1979), o primeiro LP de Pat Metheny e Lyle Mays a atingir o n.º 1 do top Billboard, e 'As Falls Wichita, So Falls Wichita Falls' (1981), que contou com o percussionista brasileiro Nana Vasconcelos.
Sucederam-se então álbuns como 'Travels', 'First Circle', 'Still Life', a banda sonora de 'The Falcon and the Snowman' -- que incluía a canção 'This Is Not America', celebrizada por David Bowie --, 'We Live Here', 'Imaginary Day', 'Speaking of Now' ou 'The Way Up', que The Pat Metheny Group, sempre com Lyle Mays, trouxe a Portugal, a concertos em Lisboa e Porto, em 2005.
A carreira conjunta, com muitas das composições partilhadas, somou 11 prémios Grammy e mais de 30 nomeações, distinções da revista especializada Down Beat e dezenas de discos de ouro e platina.
Em nome próprio Lyle Mays publicou igualmente álbuns como "Street Dreams" e "Fictionary", este com o baixo Marc Johnson e o baterista Jack DeJohnette, e lançou também recitais a solo como "Improvisations for Expanded Piano" e "The Ludwigsburg Concert", que ultrapassavam os limites do jazz.
Compôs música para crianças, como "Tale of Peter Rabbit", que fez com a atriz Meryl Streep, e colaborou com a Steppenwolf Theater Company de Chicago.
Lyle Mays atuou por diversas vezes em Portugal, com The Pat Metheny Group, sobretudo em Lisboa e no Porto, e em festivais como Jazz em Agosto, da Fundação Calouste Gulbenkian. 
O guitarrista Pat Metheny, na mensagem publicada hoje no seu 'site', afirma que Lyle Mays "foi um dos melhores músicos" que conheceu, destacando a "sua enorme inteligência e sabedoria musical". "Todos os momentos que partilhámos na música foram especiais. Desde as primeiras notas, tivemos um vínculo imediato", lê-se.  
"Haverá apenas um Lyle e todos continuaremos a apreciar seu brilho comovente", escreveu o baixista Steve Rodby, no 'site' do grupo, sobre a música do pianista.

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