terça-feira, 17 de novembro de 2020

Próxima do recorde de novos casos diários, Curitiba suspende cirurgias eletivas

Todo o Paraná vem sofrendo com uma curva ascendente da pandemia.

© Reuters


CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - O aumento no número de casos do novo coronavírus nas últimas semanas fez a prefeitura de Curitiba suspender cirurgias eletivas a partir desta terça-feira (17) por prazo indeterminado. A gestão de Rafael Greca (DEM), no entanto, liberou no mesmo dia o retorno das aulas curriculares para alunos de até 10 anos nas escolas particulares.

Na segunda-feira (16), três dos 16 hospitais da capital paranaense que atendem pacientes do SUS atingiram lotação máxima de UTIs para adultos com Covid-19. Do total de 273 leitos como estes reservados pela prefeitura apenas para adultos com a doença, 43 estão livres.

As contaminações com o novo coronavírus vêm crescendo em Curitiba há cerca de duas semanas. Nesta terça, os casos ativos na cidade chegaram a 7.449, número que só é menor do que o registrado no final de julho, quando o município atingiu o pico da pandemia.

No dia 31 de outubro, foram 393 novos diagnósticos. Duas semanas depois, na sexta-feira (13), 749. A média móvel passou de 351 até o feriado de Finados e, agora, está em 477 registros.

A secretária municipal de saúde, Márcia Huçulak, afirmou que a suspensão de cirurgias eletivas ainda é uma medida preventiva. "É possível que tenhamos um aumento de internamentos na próxima semana, e a medida é de precaução para tenhamos um pouco mais de leitos de Covid-19 disponíveis e que ninguém fique sem assistência", disse.

A prefeitura aponta que o número de pessoas procurando as unidades de pronto atendimento com sintomas respiratórios também aumentou. Na semana de 2 a 8 de novembro foram 6.752 e, já na semana seguinte, entre os dias 9 e 15, foram 8.300.

Nas instituições particulares, a situação também não é confortável. O Hospital Marcelino Champagnat divulgou uma nota nesta terça informando que está com 100% dos leitos ocupados por causa do aumento no número de casos de Covid-19. Segundo a instituição, o pronto atendimento está trabalhando no limite da capacidade máxima.

Na contramão da curva ascendente da pandemia, a prefeitura liberou a volta às aulas de crianças com menos de 10 anos que estudam em escolas particulares. Em ofício em resposta à uma consulta do sindicato que representa os estabelecimentos, Huçulak considerou que as crianças estão a aproximadamente 240 dias sem atividades presenciais e que a retomada, de forma geral, não impactou negativamente na curva de internações e óbitos em outros países.

Em outro trecho do ofício em que autoriza o retorno às aulas, a secretária cita que as atividades presenciais são uma "oportunidade de preparar as crianças para o enfrentamento de situações adversas, tendo a resiliência como valor a ser fortalecido, para ampliar a sua capacidade de lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos e resistir à pressão de situações adversas e traumáticas, como a vivenciada neste momento".

Poucos antes da eleição, em entrevista ao jornal Meio-Dia Paraná, da RPCTV, o prefeito Greca afirmou que só vai retomar as aulas nas escolas públicas de Curitiba após uma vacina para a Covid-19. Sem citar nomes, disse também que adversários políticos mentiam ao dizer que ele decretaria lockdown na cidade logo após o pleito. Ele foi reeleito no último domingo (15).

"Peço que se forem à balada, à praia, ao parque, não coloquem o pé na jaca e nem chutem o balde. Se formos inteligentes, não vamos precisar fechar nada. Se forem na balada fiquem longe uns dos outros. Quando acabar a gente vai ter a festa do abraço", disse.

A fala do prefeito tem relação com a faixa etária que tem mais colaborado para o aumento de casos na cidade. Os números mais significativos de novos contaminados são de jovens. Na faixa de 20 a 29 anos, o crescimento é de 25%, e, entre 30 e 39 anos, de 30%. Nas outras faixas etárias a variação é de aproximadamente 7%.

O aumento nos números ainda não justifica a troca de bandeira que rege o funcionamento de comércio e serviços na capital, de acordo com a prefeitura. Desde o final de setembro, a cidade está no nível de alerta amarelo, que dá maior flexibilidade à abertura de estabelecimentos, incluindo cinemas e teatros, por exemplo.

As bandeiras podem ser mais rígidas, passando pela laranja até a vermelha, a depender do nível da pandemia.

Todo o Paraná vem sofrendo com uma curva ascendente da pandemia. Em todo o mês de outubro, o número de novos casos dificilmente ultrapassava mil no estado. Desde o início de novembro, no entanto, o índice só ficou abaixo desse patamar por quatro dias, todos em finais de semana, períodos em que o número de diagnósticos geralmente é mais baixo. Nesta terça, bateu recorde, com 2.324 novos casos e 30 mortes.

Considerando a ocupação de leitos, a região leste, onde fica a capital, é a mais pressionada, com 74% de UTIs para adultos ocupados. Na sequência está a região noroeste do estado, com pouco menos de 50% de leitos como estes disponíveis.

Mas, há pequenos municípios com situação mais complicada do que a vivida no pico da pandemia. Com pouco mais de 61 mil habitantes, Irati, no sudeste do estado, está desde a semana passada com ocupação total de leitos de UTI e enfermaria para tratamento da Covid-19 no seu principal hospital público.

A partir desta quarta-feira (18), o prefeito Jorge Derbli (PSDB) decretou toque de recolher entre 22h e 6h para tentar conter a pandemia. Ele já havia baixado regras mais rígidas para controle da Covid-19, como proibição de eventos. Só na última semana, foram 185 novos casos registrados na cidade, que soma um total de 1.244 ocorrência, com 14 mortos.

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