segunda-feira, 11 de julho de 2022

Bolsonarista invade festa e mata político petista no PR

Jorge José da Rocha Guaranho, que é bolsonarista, invadiu a festa do petista Marcelo Aloizio de Arruda e o matou a tiros

© Reprodução / Facebook / Instagram


SÃO PAULO, SP, E CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - Um policial penal federal bolsonarista invadiu uma festa de aniversário e matou a tiros o petista Marcelo Aloizio de Arruda na noite de sábado (9), em Foz do Iguaçu (PR).

Durante a ação, o petista reagiu em legítima defesa e efetuou disparos contra seu agressor, identificado como Jorge José da Rocha Guaranho. A Polícia Civil do Paraná a princípio disse que ele também tinha morrido, mas a informação depois foi corrigida. Ele permanece internado.

O ataque ocorreu durante o aniversário de 50 anos do próprio Marcelo de Arruda, comemorada com uma festa temática do PT. Guaranho passou de carro em frente ao local dizendo "Aqui é Bolsonaro" e "Lula ladrão", além de proferir xingamentos. Ele saiu após uma rápida discussão e disse que retornaria.

Segundo as testemunhas, Arruda, que era guarda civil, foi ao seu carro e pegou uma arma para se defender.

Guaranho de fato retornou, invadiu o salão de festas e atirou em Arruda. O petista, já ferido no chão, também baleou o bolsonarista.

O caso eleva a apreensão sobre violência política em uma pré-campanha eleitoral que é marcada por ameaças e ataques físicos. Segundo a delegada responsável pelo caso, Iane Cardoso, a hipótese de motivação política para o crime contra o petista é investigada, mas ainda não pode ser confirmada.

Ela afirmou que ainda está sendo investigado se a razão foram divergências políticas. "A priori, é o que estão divulgando. Mas a gente está investigando, tentando extrair a verdadeira motivação. A polícia tem que averiguar", disse.

A delegada diz que a polícia também investiga se Arruda e Guaranho já se conheciam. "A informação que temos a priori deu a entender que eles se conheciam, mas não há histórico que tenha havido uma divergência ou briga anterior".

Segundo ela, a esposa de Guaranho afirmou que ele é diretor do local onde ocorreu a festa. "Por isso a gente deduz que talvez eles tivessem um conhecimento."

Arruda era tesoureiro do PT. No partido havia mais de dez anos, ele concorreu a vereador e a vice-prefeito pela sigla em eleições municipais recentes.

O Partido dos Trabalhadores divulgou nota lamentando a morte e afirmando que ela se deu por crime de ódio por um bolsonarista.

Segundo nota do PT, Arruda comemorava seu aniversário de 50 anos com familiares e amigos em uma festa na sede da Associação Esportiva Saúde Física Itaipu. O texto diz que ele foi vítima da "intolerância, do ódio e da violência política".

Afirma ainda que o bolsonarista, antes de cometer o crime, teria "interrompido a festa e ameaçado de armas na mão a todos os presentes".

O PT, no comunicado sobre o caso, disse que as últimas imagens da vida do filiado, gravadas no momento em que os convidados cantavam parabéns, "registram sua alegria de viver, seu entusiasmo com a militância, seu compromisso de vida com o PT e o presidente Lula".

A presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), divulgou nota e fotografias do militante em sua festa de aniversário em seu perfil no Twitter. Ele aparece posando ao lado de decorações temáticas em homenagem ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao partido.

"Uma tragédia fruto da intolerância dessa turma", escreveu Gleisi.

O ex-presidente Lula também comentou o caso em suas redes sociais e afirmou que Arruda "evitou uma tragédia maior".

Ele também pediu "compreensão e solidariedade" aos familiares Guaranho, que "perderam um pai e um marido para um discurso de ódio estimulado por um presidente irresponsável".

"Precisamos de democracia, diálogo, tolerância e paz", escreveu Lula.

Ainda na nota, o PT afirma que, desde o começo do ano, vem alertando a sociedade e as autoridades para a escalada de perseguição a parlamentares, filiados, militantes de movimentos sociais e de outros partidos e o crescimento da violência política no país.

No texto, o partido também cobra de autoridades de segurança pública "medidas efetivas de prevenção e combate à violência política" e alerta o Tribunal Superior Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal para que "coíbam firmemente toda e qualquer situação que alimente um clima de disputa violenta fora dos marcos da democracia e da civilidade".

A Prefeitura de Foz do Iguaçu emitiu nota de pesar pela morte de Arruda. Ele era da primeira turma da Guarda Municipal da cidade, onde atuava havia 28 anos.

No texto, o prefeito Chico Brasileiro agradeceu a dedicação e o comprometimento do servidor com o município, "o qual nestes 28 anos de funcionalismo público defendeu bravamente, tanto atuando na segurança como na defesa dos servidores municipais".

À reportagem o prefeito disse que a vítima sempre teve uma conduta de respeito ao trabalho em seus 28 anos na Guarda Municipal. "O que mais nos chama atenção é uma lição que traz uma reflexão a todas as autoridades e à sociedade sobre a intolerância". Segundo ele, deve haver um pacto contra a intolerância que afeta o país.

Arruda também era diretor da executiva do Sindicato dos Servidores Municipais de Foz do Iguaçu (Sismufi).

Outros episódios de violência contra o PT têm sido registrados nos últimos dias. Na quinta-feira (7), um evento com apoiadores do petista na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, foi alvo de um artefato explosivo.

A bomba caseira, aparentemente feita de garrafa PET, foi lançada do lado de fora da área isolada em frente ao palanque, antes da chegada de Lula.

No último dia 15, apoiadores do ex-presidente foram alvo de drone com fezes antes de um ato com a presença de Lula em Uberlândia, Minas Gerais.

Como o jornal Folha de S.Paulo mostrou, a Polícia Federal decidiu antecipar e reforçar o aparato de segurança do ex-presidente Lula.

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