terça-feira, 12 de julho de 2022

Pessoas procuram restos de alimentos em caminhão de lixo no Rio

Com o avanço da inflação e a perda de renda dos brasileiros, cenas como essa se espalharam ao longo da pandemia pelo país

© Pixabay

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Um grupo de pessoas foi visto procurando restos de alimentos em um caminhão de coleta de lixo na tarde desta segunda-feira (11) na cidade do Rio de Janeiro.

A cena foi registrada pelo fotojornalista Onofre Veras. Em uma das imagens, é possível ver cinco pessoas buscando comida em meio ao lixo armazenado no caminhão.

Conforme Veras, a cena ocorreu por volta das 14h na rua do Rezende, região central do Rio. O veículo recolhia alimentos que teriam sido descartados por um supermercado.

Com o avanço da inflação e a perda de renda dos brasileiros, cenas como essa se espalharam ao longo da pandemia pelo país.
Em 2021, um caminhão de ossos e restos de carne passou a ser disputado na zona sul do Rio por moradores que não possuíam dinheiro suficiente para comprar alimentos.

Outras metrópoles também registraram filas em busca de doações de restos de ossos de boi durante a crise. Moradores de periferias passaram a recorrer até a pé de frango para alimentação.

Atualmente, 33 milhões de pessoas passam fome no país, apontou o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, divulgado em junho. O contingente é similar ao registrado 30 anos atrás.

Os 5% mais pobres do país viram a renda mensal domiciliar per capita (por pessoa) despencar para R$ 39, em média, em 2021.

O tombo foi de 33,9% ante 2020 (R$ 59). Foi o mais intenso entre as camadas da população investigadas em uma pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a Pnad Contínua: Rendimento de Todas as Fontes 2021.

Como mostrou reportagem do jornal Folha de S.Paulo, os R$ 39 não eram suficientes nem para comprar duas unidades por mês do famoso prato feito, o pê-efe, em uma metrópole como São Paulo.

A inflação de alimentos atinge sobretudo os mais pobres, que têm menos condições financeiras para enfrentar a carestia.

Em 12 meses até junho, o grupo alimentação e bebidas acumulou alta de 13,93%, segundo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), também divulgado pelo IBGE.

Entre os alimentos pesquisados, o pepino teve a maior disparada no mesmo período: 95,81%. A cenoura subiu 83,99%. Abobrinha (82,99%), melão (78,37%) e batata-inglesa (76,01%) vieram na sequência.

A comida ficou ainda mais cara em 2022 devido a uma combinação de fatores. Um deles foi o clima adverso.

Os registros de seca no Sul e fortes chuvas no Sudeste e no Nordeste danificaram plantações. Com a oferta menor de parte dos produtos, houve repasse para os preços.

Segundo analistas, a carestia foi intensificada pelo aumento dos custos com o transporte das mercadorias, já que os combustíveis dispararam recentemente.

A Guerra da Ucrânia também gerou reflexos sobre os preços ao elevar cotações de commodities agrícolas e do petróleo.

A inflação às vésperas da corrida eleitoral virou dor de cabeça para o presidente Jair Bolsonaro (PL). A situação é vista por membros da campanha de Bolsonaro como principal obstáculo para a reeleição.

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