terça-feira, 5 de julho de 2022

Tiros em desfile do 4 de Julho deixam ao menos 6 mortos nos EUA

O atirador, identificado como Robert E. Crimo III, 22, um jovem branco, com cabelos pretos e longos e morador da região, foi detido.

© Getty

(FOLHAPRESS) - Um atirador subiu em um telhado e apontou seu rifle em direção aos participantes de um desfile que comemorava o 4 de Julho, dia da independência dos EUA, em Highland Park, nos arredores de Chicago. De acordo com a polícia, ao menos seis pessoas foram mortas a tiros, e outras 24 ficaram feridas.

Os disparos começaram pouco depois do início da parada, por volta das 10h15 (12h15 em Brasília) desta segunda (4). O evento era realizado na área central da cidade, perto da prefeitura e em avenidas com diversas lojas. Ao ouvirem os tiros, algumas pessoas acharam se tratar de fogos de artifício, mas, ao verem espectadores sendo baleados, começaram a correr. Muitos se abrigaram nos comércios próximos.

Amarani Garcia, que estava no desfile com sua filha, foi uma delas. "Eu estava muito apavorada, me escondi com minha filha em uma lojinha. Isso só me faz sentir que não estamos mais seguros", disse ela ao canal ABC. Na hora do ataque, Garcia disse ter ouvido som de tiros nas proximidades, depois uma pausa -que pode ter sido usada para o atirador recarregar a arma- e, na sequência, mais tiros.

Segundo a polícia, cinco pessoas morreram no local, e uma sexta vítima, no hospital. Dos 24 feridos, 19 já foram liberados. Os atingidos têm idades entre 8 e 85 anos, e ao menos quatro deles são crianças.

O atirador, identificado como Robert E. Crimo III, 22, um jovem branco, com cabelos pretos e longos e morador da região, foi detido. As autoridades informaram também que o rifle usado pelo suspeito foi encontrado no telhado de um prédio comercial, de onde os disparos foram feitos.

De acordo com o porta-voz da polícia local, em entrevista coletiva, a motivação do ataque está sendo investigada. Ele pediu para que pessoas que tenham filmado o desfile enviem imagens para a polícia.

A cidade de Highland Park tem 30 mil moradores, a maioria dos quais brancos e de alta renda, e fica a 40 km do centro de Chicago. Os festejos pela data foram cancelados, e a segurança em Chicago, reforçada.

"Em um dia em que nos reunimos para celebrar a comunidade e a liberdade, estamos lamentando a trágica perda de vidas e lutando contra o terror que nos foi trazido", disse a democrata Nancy Rotering, prefeita de Highland Park.

A cidade contabilizou 98 crimes violentos por 100 mil habitantes, menos de um quarto da taxa em todo o estado, segundo estatística do FBI de 2019, a mais recente disponível.​

Em nota, o presidente Joe Biden prometeu seguir combatendo o que chama de epidemia de violência armada no país e disse que ele e a primeira-dama, Jill Biden, estão "chocados com a violência armada sem sentido que outra vez trouxe dor a uma comunidade americana neste Dia da Independência".
Mais tarde, o democrata não citou diretamente o ataque, mas fez uma referência. "Vocês todos viram o que aconteceu hoje.

A cada dia somos lembrados de que não há nada garantido em relação à nossa democracia, ao nosso modo de vida. Temos de lutar, defender e conquistar isso -​e votar para refinar, evoluir e ampliar o chamado da América para avançar de forma robusta e destemida", disse ele.

No 4 de Julho, muitos desfiles são realizados no país, tanto em metrópoles quanto em cidades pequenas, com a apresentação de bandas militares e grupos musicais escolares. A polícia faz a segurança dos eventos, mas é comum que o acesso seja livre, sem a revista de quem participa da celebração.

Em Washington, além do desfile realizado no fim da manhã, haverá uma queima de fogos, que costuma atrair uma multidão ao memorial Lincoln -haverá revista para quem ficar nas áreas próximas ao evento.

O atentado deste feriado ocorre pouco mais de um mês após dois ataques a tiros chocarem o país. Em 24 de maio, um atirador matou 19 crianças e duas professoras no Texas. Antes, um ataque deixou dez mortos em Buffalo, no estado de Nova York. Ambas as ações foram cometidas por homens de 18 anos.

Os massacres colocaram o acesso a armas mais uma vez em debate nos Estados Unidos, a poucos meses das eleições legislativas de meio de mandato, em novembro. Em resposta, foi aprovado um pacote federal de restrições às armas, com apoio bipartidário, chancelado por Biden na semana passada.

A nova lei prevê que a avaliação para compradores de armas com menos de 21 anos seja feita em até dez dias úteis, para que as autoridades tenham mais tempo de rever o histórico de infrações escolares e de saúde mental. O texto determina também a ampliação do poder para confiscar armas de pessoas que estejam agindo de modo ameaçador, além de mais recursos federais a programas de saúde mental.

Ainda que considerada modesta por parte do Partido Democrata, a nova legislação é o maior avanço no controle de armas nos últimos 30 anos, quando foi adotada uma restrição ampla a armas de assalto, capazes de disparar mais tiros em menos tempo. A medida, porém, expirou em 2004 e não foi renovada.​

Políticos republicanos costumam defender o acesso às armas por verem nelas um símbolo de liberdade. A Segunda Emenda da Constituição americana garante o direito aos cidadãos terem armas de fogo. No fim de junho, a Suprema Corte decidiu que os estados não podem restringir o porte de armamentos em público, o que pode facilitar a ocorrência de novos ataques contra multidões.

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