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segunda-feira, 11 de julho de 2016

Brasil pode virar um grande Rio de Janeiro, diz Insper

O Brasil vive um momento de muitas crises simultâneas, mas para um especialista, a fiscal é a mais urgente

© Reuters
De acordo com o economista e presidente do Insper, Marcos Lisboa, o governo Temer tem debilidades e é influenciável por "pressões de grupos". Para o especialista, o Brasil corre o risco de virar um "grande Rio de Janeiro", por não possuir reformas estruturais para conter a trajetória explosiva de dívida. 

O economista afirma, segundo a Folha de S. Paulo, que cumprir a regra do teto para os gastos será "relativamente simples" porque a taxa de inflação (que corrigirá a despesa) está em queda. Como a inflação de 2017 deve ser menor que a deste ano, o gasto poderá ter aumento real. 
A dúvida, para o economista, é saber se medidas como o reajuste do funcionalismo (ao custo de R$ 67,7 bilhões até 2018) seriam só consequência do fato de Dilma Rousseff ainda não ter sido afastada definitivamente.  
Em relação a projeção de seu deficit de 2017 em R$ 139 bilhões,  Lisboa afirma que o "número que importa para a sustentabilidade das contas públicas são os R$ 194,4 bilhões (soma do deficit e das receitas adicionais previstas)". Esse é o número que deve seguir crescendo de forma estrutural, destaca. "O que o governo está fazendo é um esforço adicional, com a venda de ativos e receitas extraordinárias, para reduzir esse número para R$ 139 bilhões. São receitas extraordinárias, e bem-vindas". 
Sobre a melhora na expectativa, destaca que existe uma "janela de oportunidade para enfrentar um problema estrutural muito grave. Há um cenário externo mais favorável aos preços de commodities no Brasil, as coisas pararam de piorar em termos de atividade e talvez exista a oportunidade de uma pequena recuperação no ano que vem". 
No entanto, diz que o problema fiscal no país é de estrutura, e se o teto de gastos não for analisado de perto, os números tendem a piorar. "Uma série de fatores estruturais faz com que a despesa pública cresça acima da receita", acrescenta, enfatizando que as oportunidades serão perdidas e em um ano a crise deve retornar. 
Questionado sobre o governo interino de Michel Temer , o presidente da Insper diz que vê dualidade e fraqueza no presidente em exercício. "Se por um lado tem falado em sacrifícios, em fazer reformas como a da Previdência, em propor o teto para os gastos e enfrentar uma série de problemas essenciais para superar o problema fiscal, por outro, no varejo, tem cedido aos grupos de pressão. Este parece ser um governo fraco, que cede a grupos de pressão. E ceder é ir na contramão do ajuste". 
Para Lisboa, o governo "não tem um discurso claro e consistente". Afirma também que o país passa por um momento de "crises simultâneas", mas aponto que a fiscal é a mais urgente. 
Os governo, tanto federal quanto os locais, deveriam enfrentar as causas do problema, porém parecem buscar artifícios para adiar suas consequências para o futuro. "E este adiamento agravará o quadro. São os casos do Rio e do Rio Grande do Sul, que hoje se utilizam de depósitos judiciais para financiar as contas públicas", diz o economista. 
Para ele, o que deve ser feito até o processo de impeachment terminar é "parar de pior". A diferença entre o Brasil e o Rio de Janeiro (que decretou estado de calamidade pública), é que o governo federal pode recorrer ao aumento da inflação, no entanto isso poderia resultar na retomada da inflação crônica, provando não ser a melhor opção.

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