quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Brasil não sustenta queda na transmissão de coronavírus, indica cálculo

Os cálculos, com base no número de mortes por Covid-19, são do Imperial College, referência em acompanhamento de epidemias

© Reuters
BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) - A velocidade de contágio pelo novo coronavírus voltou a crescer no Brasil, depois de ter descido pela primeira vez desde abril a níveis de controle, na semana passada. Os cálculos, com base no número de mortes por Covid-19, são do Imperial College, referência em acompanhamento de epidemias.


Segundo o centro de doenças transmissíveis da universidade britânica, a taxa de transmissão (Rt) brasileira para a semana que começou neste domingo é 1, ou seja, cada infectado transmite a doença para uma pessoa, mantendo constante o contágio.
Na semana anterior, o índice do país desceu pela primeira vez em quatro meses abaixo de 1, o que indica uma desaceleração da transmissão. Na América do Sul, outros países já haviam feito o mesmo movimento sem manter o recuo, como Equador e Bolívia.
O Chile, que ficou oito semanas com a taxa de contágio em desaceleração, voltou a apresentar Rt = 1. O Peru é nesta semana o único país sul-americano a ter sua taxa de transmissão abaixo de 1 pelo Imperial College. O país registrou 0,98, o que indica que cada 100 infectados contagiam outros 98, que por sua vez passam o vírus para 96, depois 94, reduzindo o alcance do patógeno.
Em entrevista nesta terça (25), a Opas, braço americano da OMS (Organização Mundial da Saúde) alertou para a necessidade de manter a vigilância no continente.
Segundo o órgão, apesar de vários países apresentaram menor velocidade de expansão da doença, os patamares ainda são altos e tanto governos quanto indivíduos devem manter medidas de prevenção.
São sete os países da América do Sul com transmissão fora de controle, de acordo com o centro britânico, que acompanha todos os que tiveram ao menos dez mortes em cada uma das duas últimas semanas.
O maior Rt foi calculado para o Equador (1,32), seguido pelo Paraguai (1,27) e Argentina (1,12). Colômbia registrou 1,05 e Bolívia, 1,02. Segundo o relatório mais recente da OMS, divulgado na terça, só Uruguai e Guiana não apresentam transmissão comunitária entre os sul-americanos. Nos dois países, há apenas focos isolados.
Ao todo, o número de países acompanhados pelo Imperial College por estarem com transmissão ativa vêm crescendo. Eram 51 na primeira semana de maio e agora são 70. Nesses quatro meses, 23 países controlaram o contágio e deixaram de ser monitorados, entre eles Itália, Dinamarca, Noruega, Coreia do Sul, Quênia e Emirados Árabes Unidos.
O Imperial College calcula a taxa de transmissão com base no número de mortes reportadas, porque o dado é menos sujeito a subnotificações que o de casos registrados; como há uma defasagem entre o momento do contágio e a morte, mudanças nas políticas de combate à epidemia levam em média duas semanas para se refletirem nos cálculos.
Na quinzena encerrada nesta terça, o Brasil registrou 268 novos casos por 100 mil habitantes, uma queda de cerca de 7% em relação aos da quinzena encerrada há uma semana e de 8% em relação aos da quinzena encerrada há duas semanas, mas ainda acima dos 257/100 mil contabilizados há um mês.
Em relação ao tamanho da população, Peru, Colômbia e Panamá apresentam mais novos casos na quinzena que o Brasil: 361, 306 e 285 novos casos por 100 mil habitantes, respectivamente.
O Brasil voltou ao topo das estimativas de número de mortes para a semana, nos cálculos do Imperial College: 7.220 (os Estados Unidos não entram no relatório, pois seus dados são calculados por estado, em estudo à parte). A Índia vem em seguida, com 6.970, e para o México são previstas 3.500 mortes.
Com base no número de mortos, o Imperial College também estima a acurácia do número de casos informados pelos países. Este indicador no caso brasileiro é de 63% nesta semana, ou seja, o país registra cerca de dois terços dos casos de Covid-19.
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