quinta-feira, 24 de março de 2022

Justiça decreta prisão de diretora de escola em que crianças foram filmadas amarradas com lençol

Justiça decreta prisão de diretora de escola em que crianças foram filmadas amarradas com lençol

© Reprodução


(FOLHAPRESS) - A Justiça decretou a prisão temporária por 30 dias da responsável pela Escola de Ensino Infantil Colmeia Mágica, na zona leste paulistana. O local passou a ser investigado pela polícia após vídeos de crianças amarradas com lençóis serem compartilhados na internet.

A decisão, publicada na segunda-feira (21), acolheu pedido da Polícia Civil e do Ministério Público, que afirmam haver fortes indícios de que as crianças matriculadas na escola eram vítimas de tortura. O caso corre em segredo de Justiça.

A polícia afirmou à Justiça que o pedido de prisão é necessário para garantir a serenidade da investigação, evitando a destruição de provas e o contato da diretora do colégio, Roberta Regina Rossi Serme Coutinho da Silva, 40 anos, com testemunhas e pais de alunos.

A diretora não havia se apresentado ou sido localizada pela polícia até a publicação desta reportagem. A irmã dela também é investigada, mas não foi alvo do pedido de prisão expedido pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo).

O advogado de defesa delas, André Dias, afirmou à reportagem, na manhã desta quarta-feira (23), que suas clientes estão em um "lugar seguro". O defensor afirmou que não iria comentar sobre a decisão judicial.

A reportagem apurou que Dias entrou com um pedido de habeas corpus, ainda na noite de segunda-feira, para derrubar a decisão judicial, o que não aconteceu até o momento.

As investigações começaram após vídeos, feitos com um celular, mostrarem crianças amarradas com lençóis, no banheiro da escola infantil.

Um mandado de busca e apreensão foi cumprido por investigadores da Cerco (Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas), da 8ª Delegacia Seccional, no último dia 10.

Na ocasião, policiais apreenderam sete lençóis, supostamente usados para restringir o movimento das crianças, além dos celulares das responsáveis pela instituição de ensino.

À época, o caso era investigado como maus-tratos. Mas, no decorrer das investigações, tortura e associação criminosa também foram incluídos como objetos de apuração por parte da polícia.

As suspeitas, em depoimento, negaram conhecimento sobre as situações vexatórias das crianças veiculadas na internet.

À polícia, ambas reconheceram o banheiro como sendo da instituição de ensino. Cerca de 20 pessoas foram ouvidas, entre funcionários e pais de alunos.

Professoras e ex-professoras da Colmeia Mágica afirmaram em depoimento, segundo registros da Promotoria, que crianças eram colocadas em bebês-conforto, dentro do banheiro, amarradas com lençóis, quando choravam com insistência. Elas relatam que, para abafar o choro, por vezes eram colocados cobertores na cabeça dos bebês, e a porta era fechada.

A prática ocorria, ainda segundo funcionárias, por suposta orientação da direção da escola.

As suspeitas negam qualquer envolvimento ou conhecimento dos maus-tratos.

O advogado André Dias reforçou à reportagem, no último dia 17, que o colégio busca descobrir quem fez as gravações e colocou as crianças naquela situação.

Pais de alunos No dia 19, uma manifestação com pais de alunos ocorreu em frente à escola.

Um agente de trânsito de 25 anos afirmou à reportagem que uma das crianças que aparece amarrada em um dos registros é seu filho de 11 meses. O nome dele e de outros pais de alunos será omitido para preservar a identidade das crianças.

Ele disse nesta quarta que a criança foi matriculada na instituição quando tinha quatro meses de vida. A escola foi escolhida, acrescentou, pelo fato de ele conhecer a diretora da unidade.

Antes da veiculação das imagens com as crianças amarradas em lençóis, o agente diz que já havia notado uma mudança de comportamento no filho, mas que acreditou ser algo normal, até então, por causa da idade do menino.

O homem afirmou que o filho fica agitado quando é coberto com algum lençol em casa. A criança, acrescentou, costuma ficar com os braços esticados para cima quando deita na cama.

O agente diz que só começou a ficar de fato desconfiado ao ver policiais cumprindo um mandado de busca e apreensão no local, no dia 10.

Em 2010, a diretora da Colmeia Mágica foi investigada pela morte de uma criança sob seus cuidados.

O advogado da escola confirmou o caso, acrescentando que ele foi arquivado. A reportagem apurou que o processo, de fato, não tramita mais na Justiça.

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