domingo, 13 de março de 2022

Rússia ameaça atacar envio de armas dos EUA para a Ucrânia

Após uma aparente desaceleração da ofensiva russa, o governo da Ucrânia afirmou neste sábado esperar uma nova onda de ataques em Kiev

© Getty

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As garantias de segurança exigidas pela Rússia nos meses que precederam a invasão da Ucrânia já não têm mais valor, afirmou neste sábado (12) o vice-premiê russo de Relações Exteriores, Serguei Riabkov.


Enquanto a guerra era apenas uma ameaça, o Kremlin pedia, para não tomar nenhuma ação militar, a garantia de que antigas repúblicas soviéticas como Ucrânia, Geórgia e Moldova não integrariam a Otan e a retirada de tropas da aliança militar de países ex-comunistas, freando a presença nas vizinhanças russas.

"A situação mudou completamente. A questão agora é alcançar a implementação dos objetivos de nossos líderes", disse ele, referindo-se à "desmilitarização" da Ucrânia exigida pelo Kremlin. "Se os americanos estiverem dispostos, podemos, é claro, retomar o diálogo", acrescentou, afirmando que Moscou estava aberta a discutir acordos para limitar os arsenais nucleares. "Tudo depende de Washington", afirmou.


Em entrevista à TV russa, Riabkov disse ainda que alertou os EUA de que as tropas russas podem atacar o envio de armas para a Ucrânia. "Alertamos que a entrega de armas que estão orquestrando de uma série de países não é apenas um ato perigoso, mas também transforma esses comboios em alvos legítimos", disse, citando particularmente sistemas de defesa aérea portáteis e sistemas de mísseis antitanque.


Após uma aparente desaceleração da ofensiva russa, o governo da Ucrânia afirmou neste sábado esperar uma nova onda de ataques em Kiev, na cidade de Kharkiv e no Donbass, região na qual estão localizados separatistas pró-Moscou reconhecidos como independentes pelo presidente Vladimir Putin.


A fala de Oleksi Arestovich, conselheiro do chefe de gabinete do líder ucraniano, Volodimir Zelenski, vem acompanhada da aproximação da capital por parte das tropas russas, a 25 km do centro de Kiev, além de cerco e bombardeio a diversas outras cidades, de acordo com o Ministério da Defesa do Reino Unido.


A vice-primeira-ministra da Ucrânia, Irina Verechtchuk, afirmou esperar que corredores humanitários fossem abertos neste sábado para viabilizar a saída de milhares de habitantes de locais atacados, como os arredores de Kiev e as cidades de Sumi e Mariupol, onde, segundo a chancelaria ucraniana, uma mesquita com mais de 80 adultos e crianças, incluindo cidadãos da Turquia, teria sido bombardeada neste sábado.


"A mesquita do sultão Suleiman, o Magnífico, e de sua esposa Roxolana (Hurrém Sultana) em Mariupol foi bombardeada por invasores russos", afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia no Twitter, sem especificar se havia mortos ou feridos no local. Moscou nega atacar áreas civis, e o Ministério das Relações Exteriores da Turquia disse à agência de notícias AFP que não tinha informações sobre o caso.


Embora Verechtchuk tenha expressado a expectativa de que habitantes consigam deixar as áreas atingidas, o governador da região de Kiev disse que os combates e as ameaças de ataques aéreos russos continuaram durante as tentativas de retirada.


Também neste sábado, o presidente francês, Emmanuel Macron, e o premiê alemão, Olaf Scholz, voltaram a falar com o líder russo e pediram um cessar-fogo imediato.


Zelenski disse que também falou com os líderes europeus e que pediu a eles que pressionem pela libertação do prefeito de Melitopol, supostamente sequestrado por forças russas.

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