sábado, 5 de março de 2022

Ucrânia acusa Rússia de desrespeitar cessar-fogo parcial e adia retirada de civis

Mais cedo, Moscou disse que interromperia os ataques em cidades da Ucrânia para estabelecer os chamados corredores humanitários e permitir a fuga de civis

© Getty Images


SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após a Rússia anunciar neste sábado (5) um cessar-fogo parcial, autoridades ucranianas acusaram as forças de Vladimir Putin de não cumprir o acordo e adiaram plano para retirada de civis na cidade de Mariupol, no sudeste do país.


Mais cedo, Moscou disse que interromperia os ataques em cidades da Ucrânia para estabelecer os chamados corredores humanitários e permitir a fuga de civis. Seria o primeiro cessar-fogo desde o início dos conflitos, em 24 de fevereiro.


O acordo, em vigor desde as 10h no horário de Moscou (4h em Brasília), inclui somente as cidades de Mariupol e Volnovakha, que estão cercadas pelas forças russas.


Ainda pela manhã, entretanto, o Legislativo de Mariupol acusou as tropas russas de não respeitarem a trégua. "Estamos negociando com o lado russo para confirmar o cessar-fogo em toda a rota de evacuação", disse em comunicado.


Mais tarde, a prefeitura de Mariupol pediu aos moradores que retornassem aos abrigos da cidade. Em Volnovakha, a retirada de civis também foi frustrada.


"A Federação Russa começou a bombardear Volnovakha com armas pesadas", disse a ministra para Territórios Ocupados, Irina Vereshchuk. "Apelamos à Rússia que acabe com o bombardeio e devolva o cessar-fogo para que crianças, mulheres e idosos possam deixar os assentamentos."


Em Mariupol, a operação para retirada dos moradores estava prevista para começar às 11h (6h em Brasília. Nesta sexta (4) o prefeito da cidade, Vadim Boichenko, disse que a região era alvo de "ataques implacáveis" e que estava "bloqueada" pelos militares russos. Os moradores estão sem água e eletricidade há dois dias.


"Por enquanto estamos procurando soluções para os problemas humanitários e todas as formas possíveis de tirar Mariupol do bloqueio", disse Boichenko. Além da retirada de civis, autoridades também planejavam levar remédios e outros suprimentos básicos à cidade.


"A Federação Russa começou a bombardear Volnovakha com armas pesadas", disse a ministra para Territórios Ocupados, Irina Vereshchuk. "Apelamos à Rússia que acabe com o bombardeio e devolva o cessar-fogo para que crianças, mulheres e idosos possam deixar os assentamentos."


Em Mariupol, a operação para retirada dos moradores estava prevista para começar às 11h (6h em Brasília. Nesta sexta (4) o prefeito da cidade, Vadim Boichenko, disse que a região era alvo de "ataques implacáveis" e que estava "bloqueada" pelos militares russos. Os moradores estão sem água e eletricidade há dois dias.


"Por enquanto estamos procurando soluções para os problemas humanitários e todas as formas possíveis de tirar Mariupol do bloqueio", disse Boichenko. Além da retirada de civis, autoridades também planejavam levar remédios e outros suprimentos básicos à cidade.


Rússia e Ucrânia concordaram em estabelecer os corredores humanitários na quinta (3), durante encontro de delegações dos dois países para negociações na Belarus.


Neste sábado, o conselheiro do Ministério do Interior ucraniano, Anton Heraschenko, disse que mais acordos devem ser estabelecidos para a implementação de novas rotas de saída em outros territórios do país.
O chanceler russo, Serguei Lavrov, também disse ter discutido com seu contraparte belarusso, Vladimir Makei, o estabelecimento de outras rotas, segundo a agência RIA.​


Corredores humanitários ou zonas de segurança implicam cessar-fogo, algo que, como visto na guerra da Bósnia nos anos 1990, é um instrumento muito precário. Além disso, podem ser utilizados para desocupar áreas de civis potencialmente hostis a invasores, sem garantias de que um dia voltarão para suas casas.
O movimento pode facilitar a eventual ocupação militar de territórios e favorecer o plano presumido de Putin de remover a área da soberania ucraniana.


Embora a Rússia tenha anunciado cessar-fogo em Mariupol e Volnovakha neste sábado, forças de Moscou continuaram com suas ofensivas durante a madrugada, com bombardeios sobre Kiev.


Autoridades pediram que os moradores da capital permaneçam em abrigos e alertaram para o risco de confrontos nas ruas da cidade.​
Em Bucha, próximo a Kiev, tropas russas foram acusadas de abrir fogo contra veículo de civis, segundo a mídia local. Duas pessoas teriam morrido no ataque, incluindo uma jovem de 17 anos, e outras quatro teriam sido feridas.


Também neste sábado as tropas de Putin ocuparam o prédio da Câmara Municipal de Energodar, segundo divulgou o líder da cidade, Dmitro Orlov, que garante que a município -onde fica a usina de Zaporíjia, tomada por russos nesta sexta (4)- continua sob controle ucraniano.


Em outra planta nuclear, a de Tchernóbil, o mesmo grupo de funcionários trabalha há dez dias em turnos, desde que os militares de Moscou tomaram o local, segundo a mídia ucraniana. Eles estão "cansados mentalmente e fisicamente", relatou o prefeito de Slavutich, Iuri Fomichev.


Igor Konashenkov, porta-voz do Ministério da Defesa russo, disse que mais de 2.000 equipamentos da infraestrutura militar ucraniana foram destruídos desde o início da guerra, segundo a agência Interfax.


Segundo ele, foram atingidos 66 aviões da Ucrânia em solo e outros 16 no ar, 708 tanques de guerra e outros tipos de blindados, 74 lançadores de foguetes, 261 armas de artilharia, 505 veículos militares especiais e 56 drones. Os números, porém, não podem ser confirmados de maneira independente.


Konashenkov disse ainda que as forças da Rússia fazem uma "ofensiva ampla" na Ucrânia.


Forças de defesa ucraniana, por sua vez, afirmaram que derrubaram um helicóptero russo. O vídeo da ação foi divulgado pelo perfil oficial do Ministério da Defesa ucraniano. Nas imagens, a aeronave é atingida por um míssil e explode. O local e a data do ataque, porém, não foram informados.


Até esta sexta, mais de 1,2 milhão de pessoas já tinham fugido da Ucrânia desde o início da invasão russa, segundo dados do Acnur (Alto Comissariado da ONU para Refugiados). A Polônia é de longe o país que mais vem acolhendo refugiados do conflito.

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