Somente em um único dia, o Banco Central registrou 224 milhões de transferências realizadas pelo PIX, demonstrando a enorme adesão da população à ferramenta de pagamentos instantâneos. No entanto, a popularização do serviço também abriu espaço para golpes cada vez mais sofisticados.
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Uma das fraudes mais recentes tem chamado a atenção por explorar justamente o Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado para auxiliar vítimas de golpes e transações fraudulentas. Nesse caso, criminosos transformam a ferramenta de proteção em uma forma de obter vantagens indevidas.
O chamado golpe do “Pix errado” segue uma estratégia específica. Primeiro, o golpista realiza uma transferência para a conta da vítima. Em seguida, entra em contato alegando que enviou o valor por engano e solicita a devolução do dinheiro. O detalhe está no pedido para que o ressarcimento seja feito para uma conta diferente daquela que realizou a transferência original.
Quando a vítima faz uma nova transferência manual para a conta indicada, o criminoso utiliza o MED junto à instituição financeira, alegando ter sido alvo de fraude. Dessa forma, consegue receber tanto o valor enviado pela vítima quanto o possível ressarcimento decorrente da solicitação ao banco.
Desde fevereiro de 2026, o Banco Central ampliou o rastreamento das movimentações financeiras realizadas pelo sistema, permitindo acompanhar toda a cadeia de transferências para identificar operações suspeitas e valores movimentados entre contas utilizadas em esquemas fraudulentos. Ainda assim, a fraude depende de um erro simples do usuário: não utilizar a função oficial de devolução disponível no aplicativo bancário.
Outra modalidade que vem sendo utilizada é o golpe do Pix Agendado. Nesse caso, o criminoso apresenta um comprovante de agendamento que visualmente se parece com uma transferência concluída. A vítima acredita que recebeu o pagamento e libera um produto, serviço ou negociação. Pouco depois, o fraudador cancela o agendamento e o dinheiro nunca chega à conta do destinatário.
Como a transação não é efetivada, o MED não pode ser acionado nesse tipo de situação. Isso torna a prevenção ainda mais importante, já que não há possibilidade de utilizar o mecanismo para tentar recuperar valores inexistentes.
Além dessas práticas, continuam frequentes os golpes envolvendo clonagem de contas de WhatsApp. Após assumir o controle do aplicativo de uma pessoa, criminosos enviam mensagens para familiares e amigos solicitando transferências urgentes via Pix. A confiança existente entre os contatos costuma facilitar o sucesso da fraude.
Outro método citado envolve a instalação de programas maliciosos em celulares, permitindo que criminosos acessem aplicativos bancários remotamente e realizem transferências sem autorização do titular da conta.
O Banco Central também alerta que o cadastro de chaves Pix não é realizado por telefone. Qualquer ligação solicitando esse procedimento deve ser encarada como tentativa de golpe.
Nos casos em que uma fraude envolve uma transferência efetivamente concluída, a vítima pode solicitar a devolução por meio do MED em até 80 dias após a operação. Entretanto, quando o assunto é devolução de um Pix recebido por engano, a orientação é clara: utilizar exclusivamente a função de devolução disponível no extrato bancário, direcionando o valor para a conta de origem.
Entre as principais recomendações do Banco Central estão confirmar diretamente no aplicativo bancário se o pagamento foi concluído antes de entregar produtos ou prestar serviços, desconfiar de comprovantes enviados por aplicativos de mensagens, nunca registrar chaves Pix por telefone e utilizar sempre os canais oficiais para devoluções. Embora o rastreamento das operações tenha sido aprimorado, a principal proteção continua sendo a atenção do usuário no momento da transação.
VIA… NOTÍCIAS AO MINUTO
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