sábado, 7 de novembro de 2020

Desmatamento na Amazônia cresce 50% em outubro

O dado foi atualizado nesta sexta-feira, 6, no site Terrabrasilis, do Inpe, em meio à viagem do vice-presidente Hamilton Mourão com embaixadores de vários países à Amazônia, em uma tentativa de melhorar a imagem externa sobre a ação federal na região

 

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Após três quedas consecutivas, os alertas de desmatamento da Amazônia voltaram a subir no mês de outubro. A região perdeu 836,23 km² até o dia 30, uma alta de 50,6% em relação aos alertas feitos em outubro do ano passado, de 555,26 km², de acordo com dados do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). É o maior valor para o mês da série histórica, iniciada em 2015.


O dado foi atualizado nesta sexta-feira, 6, no site Terrabrasilis, do Inpe, em meio à viagem do vice-presidente Hamilton Mourão com embaixadores de vários países à Amazônia, em uma tentativa de melhorar a imagem externa sobre a ação federal na região.

Além da alta no desmatamento, o mês passado teve o maior número de queimadas dos últimos cinco anos. Foram 17.326 focos - ante 7.855 em outubro de 2019. A alta foi de 120%, mas vale a ressalva de que outubro do ano passado teve o menor valor do registro histórico.

Mourão, que lidera o Conselho da Amazônia, criado para combater os crimes ambientais na região, vinha destacando as quedas observadas em julho, agosto e setembro deste ano - em comparação com os valores desses meses no ano passado --, como uma inversão da curva de alta até então. Esse seria, para o vice-presidente, um resultado da Operação Verde Brasil 2, que está na região desde maio.

Os primeiros meses da operação ainda tinham apresentado alta nos alertas. A devastação da floresta entrou em ritmo acelerado em maio do ano passado. Por 14 meses seguidos, os valores registrados foram superiores aos observados nos mesmos meses do ano anterior. Em sete deles, o valor foi o mais alto da série histórica.

Alertas

Em julho deste ano houve a primeira queda, mas o mês ainda apresentou o segundo maior número de alertas do Deter em cinco anos. O mesmo vale para agosto e setembro. Nesses meses, no ano passado, o desmatamento tinha alcançado números bem superiores aos observados desde 2015.

Em julho deste ano, por exemplo, a perda foi de 1.654,32 km², ante 2.255,33 km² em julho de 2019. Em julho de 2016, foi de 739,46 km²; em 2017, 457,53 km², e em 2018, 596,27 km².

Na visão de especialistas em Amazônia, as quedas recentes ainda não são motivo para comemoração e indicam pouca efetividade da ação dos militares na região. Nesta quinta, dia 5, a Operação Verde Brasil 2 foi ampliada até abril de 2021.

No agregado do ano a queda é pouco significativa. De 1.º de janeiro até 30 de outubro, o Deter indicou a devastação de 7.899 km². No mesmo período do ano passado, a perda foi de 8.425 km² - redução de apenas 6%. O maior valor dos últimos anos para esse período até então tinha sido em 2016: 5.648 km².

Na viagem com os embaixadores, Mourão eximiu o governo da responsabilidade. "Chega um momento em que o caldo entorna e ele entornou no nosso momento. Os problemas não aconteceram desde 1.º de janeiro", disse sobre o desmatamento e as queimadas na Amazônia.

"Acabar com a destruição da floresta e as repercussões da política antiambiental deste governo exigirá mais do que tentar enganar embaixadores com um sobrevoo", disse Rômulo Batista, do Greenpeace Brasil, em nota à imprensa. A nota propõe, entre outras coisas, começar por uma moratória de 5 anos do desmatamento da região, a retomada de criação das unidades de conservação e punições maiores aos crimes ambientais.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


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