terça-feira, 22 de março de 2022

Companhia aérea admite mortos em acidente na China, e equipes fazem buscas

Além de rastros das vítimas, as equipes procuram as caixas-pretas, dispositivos que guardam dados do voo e registros de áudio da cabine do piloto, para entender a causa do acidente.

© Getty


SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Equipes de resgate lutavam nesta terça-feira (22) contra a chuva e a lama na busca por vestígios das 132 pessoas que estavam a bordo do Boeing-737 da China Eastern que caiu em uma área montanhosa no sudeste da China. Além de rastros das vítimas, as equipes procuram as caixas-pretas, dispositivos que guardam dados do voo e registros de áudio da cabine do piloto, para entender a causa do acidente.

As esperanças de encontrar sobreviventes são praticamente nulas um dia após o acidente do Boeing 737-800, no que deve ser a catástrofe aérea com o maior número de mortes na China em quase três décadas.
As perguntas se acumulam sobre as causas da queda da aeronave, que perdeu mais de 26 mil pés (quase 8.000 metros) em dois minutos, antes de cair em uma região montanhosa na tarde de segunda-feira (21).

A companhia aérea reconheceu que pessoas a bordo do voo, que viajava entre as cidades de Kunming, no sudoeste do país, e Guangzhou, no sul, morreram, mas não divulgou detalhes. "A companhia expressa profundas condolências pelos passageiros e os membros da tripulação que morreram no acidente", afirmou a China Eastern em um comunicado divulgado na noite de segunda.

O líder do regime chinês, Xi Jinping, ordenou uma investigação detalhada sobre as causas do acidente. A imprensa estatal afirmou que o vice-primeiro-ministro Liu He, muito próximo a Xi e que atua mais em questões econômicas, foi enviado à região para supervisionar as tarefas de resgate e investigação.

Equipes de resgate, bombeiros e agentes de unidades de emergência foram para a zona rural da província de Guangxi, local do acidente. Os funcionários examinavam os pedaços queimados do avião e rastros do incêndio provocado. Um deles afirmou que os passageiros podem ter sido "totalmente incinerados" pela intensidade das chamas.

Partes da aeronave ficaram espalhadas pelas encostas das montanhas carbonizadas pelo fogo. Restos queimados de documentos de identidade e carteiras também foram vistos, disse a mídia estatal.

O local do acidente é cercado por montanhas, com apenas uma pequena trilha de acesso, segundo a imprensa oficial, e escavadeiras trabalham para abrir caminho até o ponto em que a aeronave caiu. A previsão é de chuva na região nesta semana.

A polícia montou um posto de controle na vila de Lu, na aproximação ao local, e impediu a entrada de jornalistas. Moradores da região se reuniram nesta terça-feira para uma pequena cerimônia budista perto do local do acidente

O desastre aconteceu após uma queda vertical em alta velocidade, de acordo com um vídeo divulgado pela imprensa chinesa. O voo MU5735, que decolou de Kunming pouco depois das 13h (2h de Brasília), "perdeu contato quando estava sobrevoando a cidade de Wuzhou", segundo um comunicado da Administração da Aviação Civil da China (CAAC).

De acordo com o rastreador de voos especializado FlightRadar24, a aeronave perdeu quase 21.250 pés (6.477 metros) em apenas um minuto antes de desaparecer dos monitores de radar. Depois, após uma breve subida, despencou novamente, a 1.410 metros, segundo o FlightRadar24, para ficar 983 metros acima do solo. A aeronave desapareceu dos radares às 14h22 (3h22 de Brasília).

Jean-Paul Troadec, ex-diretor do Escritório de Investigação e Análises de Segurança Aérea da França, afirmou à agência de notícias AFP que é "muito cedo" para tirar conclusões, mas que os dados do FlightRadar são "muito incomuns". Especialistas consultados pela Folha também disseram que a trajetória do avião chama atenção.

Dan Elwell, ex-chefe da Administração Federal de Aviação, a agência reguladora dos EUA, disse à Reuters que "acidentes que começam na altitude de cruzeiro geralmente são causados pelo clima, sabotagem deliberada ou erro do piloto", disse.

Nos últimos anos, a China se destacou por padrões de segurança da aviação rígidos, apesar do rápido e amplo crescimento do setor nas últimas décadas.

A imprensa estatal informou que a China Eastern suspendeu os voos com os modelos Boeing 737-800. Em um comunicado, a fabricante americana afirmou que tenta "reunir mais informações" sobre o acidente.

O acidente de voo comercial com mais vítimas fatais na China aconteceu em 1994, quando a queda de uma aeronave da China Northwest Airlines provocou a morte das 160 pessoas a bordo.

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