terça-feira, 19 de julho de 2022

Corregedoria da PM investiga oficial que ameaçou chutar barriga de grávida por dívida

O capitão André Silva Rosa afirmou ter ameaçado chutar a barriga de uma mulher grávida durante a cobrança de uma dívida

© Shutterstock


SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Corregedoria Polícia Militar de São Paulo abriu investigação para apurar as declarações de um oficial da corporação, o capitão André Silva Rosa, que, durante entrevista a um videocast, afirmou ter ameaçado chutar a barriga de uma mulher grávida durante a cobrança de uma dívida de R$ 5.000.

"Você vai me pagar. Se você não me pagar, eu vou começar a chutar a sua barriga, eu vou pular em cima de você, eu vou arrancar a sua orelha na mordida", relatou o oficial na entrevista ao canal Snider Cast, do Youtube, sobre o momento da ameaça. A possível vítima não foi identificada na entrevista.
Pré-candidato a deputado federal pelo Avante e com a bandeira da defesa "dos interesses dos cidadãos de bem", Silva Rosa é o mesmo que foi investigado em 2020 sob a suspeita de ter forjado provas na prisão de um inocente. No ano passado, também foi investigado por supostas ameaças a uma namorada.


A reportagem tenta contato com o capitão desde domingo (17), sem resposta. A reportagem tentou falar com ele pelo celular e também tentou localizar sua defesa mas não obteve sucesso até a publicação desta reportagem.


A Polícia Militar não adiantou quais crimes ele pode ter cometido. Disse que as circunstâncias dos fatos narrados pelo PM estão sendo investigadas pela instituição. Se comprovados, eles serão tipificados e apresentados em juízo, "para que o agente responda nos trâmites legais".


Para a promotora Celeste Leite dos Santos, do Ministério Público paulista, os fatos narrados no vídeo constituem, em tese, possível prática do delito de extorsão contra a mulher grávida, praticada mediante grave ameaça com o fim de obtenção de possível vantagem de R$ 5.000.


Santos requisitou imediata a instauração de inquérito policial após ter conhecimento do teor da gravação, encaminhada pela reportagem. Ainda conforme a Promotoria, foram pedidas a identificação e a tomada de depoimento da possível vítima, além da concessão de medidas protetivas com urgência.


De acordo com policiais ouvidos pela Folha, a prioridade é tentar localizar a vítima e confirmar se os fatos narrados pelo PM são verdadeiros –ou se são uma bravata do oficial na tentativa de buscar votos de um público simpatizante com esse tipo de comportamento. Em ambos os casos ele estará passível de punição.


A advogada criminalista Roselle Soglio, após analisar a gravação a pedido da Folha, disse que há diversos crimes envolvidos no caso, como possível invasão de domicílio sem autorização judicial e crime de ameaça. Ainda segundo ela, mesmo se o relato for falso, o PM pode responder por incitação ao crime.
Na conversa o capitão conta como teria descoberto o endereço da mulher, ido até a casa dela e obrigado, por meio de ameaças, o pagamento do valor. No vídeo não fica claro o motivo da dívida.


Silva Rosa contou ter chegado ao endereço da mulher após rastrear seu telefone de maneira irregular. "Catei o número dela. Fiz um esquema que eu não posso falar, entendeu, consegui plotar a região em que ela ficava fazendo ligação. Consegui traçar ali um o perímetro provável de onde essa mulher morava, que era lá na região no Jardim Myrna [na zona sul da capital paulista]", relatou ele.


Ainda conforme a narrativa do PM, ele entrou na casa da mulher e passou a fazer diversas ameaças, inclusive de morte. "Bati na porta dela. [Ela:] 'Quem é?' Falei: 'Abre aí que é a polícia'. [Ela:] 'Quê?' Falei: 'Abre aí que é a polícia, senão vou derrubar'".


Aos risos, o capitão afirmou no vídeo que estava com vontade de matá-la, já que havia sido enganado e estava há muito tempo atrás dela. Foi quando falou do chute na barriga.


Ainda segundo relato do capitão, ao perceber que a gestante estava desesperada, ele a orientou a pedir dinheiro emprestado para traficantes da região ou para pessoas envolvidas com o jogo do bicho para lhe pagar.
A mulher entrou em contato com uma pessoa, segundo o capitão, que pediu a um menino para deixar o dinheiro na porta.


Segundo a Polícia Militar, Silva Rosa está afastado da função pública, tendo em vista o pedido de desincompatibilização, "que é o ato pelo qual o pré-candidato se afasta do posto que exerce para se tornar elegível perante a Justiça Eleitoral", diz trecho de nota enviada à reportagem.


Sobre as outras investigações contra o capitão, a corporação informou houve apuração mediante Inquérito Policial Militar. A denúncia de suposta fraude foi remetida à Justiça Militar estadual, enquanto a suposta agressão foi registrada na Polícia Militar e Polícia Civil.

VIA...NOTÍCIAS AO MINUTO   

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