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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Dólar recua e Bolsa tem forte queda com investidores à espera de novos dados econômicos

Investidores acompanham negociações entre EUA e Irã pela paz no Oriente Médio. Analistas ainda aguardam pela divulgação de novos dados no exterior e no Brasil

© Pixabay/pasja1000

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar está em queda nesta segunda-feira (6), volta de fim de semana prolongado depois do feriado nos Estados Unidos.

Em uma sessão sem gatilhos até o momento, investidores esperam novos dados econômicos que devem ser divulgados nesta semana, de olho na trajetória de juros do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano).

Às 13h10, a moeda norte-americana tinha queda de 0,34%, cotada a R$ 5,150. Já a Bolsa tinha forte queda de 1,25%, a 171.892 pontos, com Ambev entre as maiores pressões.

A semana começa sem grandes eventos na agenda macroeconômica brasileira. Na sexta, o feriado antecipado de 4 de Julho nos Estados Unidos reduziu a liquidez das operações-e, nesta segunda, a volta dos investidores já agita os pregões.

A tônica dos mercados nas últimas semanas tem sido a trajetória de juros do Fed. O cenário para a política monetária americana mudou após a chegada de Kevin Warsh à presidência do banco central. Pouco adepto a sinalizações sobre seus próximos passos, o novo chair tem deixado os investidores no escuro.

Ele, no entanto, tem reforçado que o Fed não será tolerante com a inflação acima da meta de 2%. Em maio, o índice PCE mostrou que, no acumulado de 12 meses, os preços avançaram 4,1%, mais de dois pontos percentuais acima do alvo.

"Se houver pessoas entre as famílias, no setor empresarial ou nos mercados financeiros que pensaram que este banco central ficaria à vontade com uma meta de inflação acima de 2% -bem, acho que ficarão decepcionadas: vamos garantir a estabilidade de preços nos EUA", disse Warsh na última quarta-feira (1°).

Atentos às pressões inflacionárias, os operadores monitoram dados de atividade econômica. Na quinta, o relatório payroll trouxe uma relativa tranquilidade aos mercados ao mostrar que a criação de vagas de emprego ficou abaixo do esperado. Foram abertos 57 mil postos em junho, ante expectativa de 110 mil.

Com o mercado de trabalho relativamente equilibrado, o consumo das famílias tende a ficar estável, reduzindo pressões inflacionárias.

Os investidores agora aguardam dados do setor de serviços e, no começo da tarde, comentários de Christopher Walker, diretor do Fed.

Por ora, a expectativa é que o Fed volte a subir juros apenas em outubro -até quinta-feira, a maioria das apostas se concentrava na reunião de setembro. A ata da reunião do banco central americano será divulgada na quarta-feira e poderá apontar mais claramente a direção da política monetária nos próximos meses.

Juros mais altos nos EUA são uma má notícia para investimentos em todo o mundo. Quando os Fed Funds sobem, os rendimentos das treasuries, títulos de renda fixa norte-americanos, também sobem, atraindo recursos de operadores globalmente por serem ativos praticamente isentos de risco.

Nesta sessão, o rendimento das treasuries recuava. O título de dez anos -referência global para decisões de investimento- caía 0,02 ponto percentual, a 4,459%, também puxando os juros futuros do Brasil para baixo.

A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,04%, em baixa de 0,06 ponto percentual. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,35%, também recuando 0,06 ponto.

No Brasil, o destaque do dia ficou com o relatório Focus do Banco Central. A pesquisa pontou que a mediana das projeções dos economistas para a inflação este ano foi de 5,33% para 5,30% e para o próximo passou de 4,17% para 4,18%.

Já a taxa básica Selic projetada para o fim deste ano seguiu em 14% e para o final do próximo ano em 12%. Atualmente a Selic está em 14,25%.

"A divergência de política monetária entre o Fed, que está com viés de alta de juros, e o BC, com viés de corte de juros, enfraquece o real", disse o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em relatório a clientes.

"Na semana, o dólar/real conseguiu fechar abaixo de R$5,20, ou seja, abaixo da linha da concentração de longo prazo... Assim, as chances de o dólar continuar subindo, em direção a R$5,30 ou R$5,35, reduziram", avaliou.

Na sexta-feira, a moeda norte-americana à vista fechou com queda de 0,76%, aos R$ 5,168.

VIA… NOTÍCIAS AO MINUTO  

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