segunda-feira, 7 de março de 2022

Roubos na porta de escolas fazem pais pressionarem por segurança

 

No dia 17 de fevereiro, o pai de dois alunos foi baleado após deixar os filhos na aula no Morumbi, na zona sul, e morreu depois de duas semanas.

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A onda de roubos nas portas de escolas tem assustado famílias e feito colégios particulares reforçarem medidas de segurança em São Paulo.

No dia 17 de fevereiro, o pai de dois alunos foi baleado após deixar os filhos na aula no Morumbi, na zona sul, e morreu depois de duas semanas. Moradores da região organizaram abaixo-assinado online, com quase 5 mil participantes, e fazem protesto neste domingo para cobrar soluções. Escolas de outras regiões também relatam alta da violência.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a cidade teve 11.563 roubos em janeiro, excluindo ocorrências que envolvem veículos, carga e bancos. É o número mais alto desde março de 2020, quando começou a pandemia, mas em patamar ainda menor que o de janeiro de 2020 (13.199).

Ou seja, os roubos aumentaram neste ano diante do fim das restrições de mobilidade e a maior circulação de pessoas, mas não estão em níveis maiores do que antes. Com o início do ano escolar e a volta das aulas presenciais, crimes nas portas de colégios têm chamado a atenção.

Carlos Lavieri, diretor do Colégio Itatiaia, conta que a escola passou recentemente por um assalto com arma na porta. O pai estava deixando as crianças para a aula quando bandidos se aproximaram de moto. Ele reforça que é raro ter filas de carros na entrada e saída dos estudantes porque os horários são variados. No dia do roubo, era só aquele pai, que foi abordado pelos bandidos.

"Fizemos boletim de ocorrência, entregamos as imagens do assalto, tem inclusive a placa da moto e estamos esperando a investigação", conta. Depois disso, a escola ampliou o sistema de vigilância, reviu a posição das câmeras e aumentou o acompanhamento por rádio. Até agora o problema, diz Lavieri, foi relatado no colégio do Morumbi, mas não nas demais unidades do Itatiaia, também presente em bairros como Moema e Bela Vista.

No Morumbi, a abordagem dos ladrões em motos é comum: levam objetos de pais e alunos, que estão nos carros enfileirados nas portarias. O pai que foi assassinado, Valdemir de Jesus Mota, foi baleado na barriga. Naquele dia, quatro criminosos em duas motos fizeram um arrastão. O Colégio Mais, onde os filhos de Mota estudam, informou à época que já havia pedido reforço de policiamento no entorno.

Mas há ainda os casos de estudantes que voltam a pé para casa, por morarem perto das escolas, e têm celulares, carteiras e até equipamentos como tablets ou computadores (que algumas escolas ofereceram na época do ensino remoto) roubados. E um terceiro risco é o sequestro-relâmpago, para tirar dinheiro da conta via Pix.

Cansados da violência, pais de estudantes e moradores do Morumbi organizaram uma manifestação prevista para este domingo, às 10h, com saída marcada para a Rua Olavo Leite, na Vila Andrade (local onde Mota foi baleado). A carreata vai passar por outras escolas e ruas da região em que são frequentes os assaltos, e terminará em frente ao Estádio do Morumbi, onde existe uma base da PM. Balões brancos representarão o apelo por paz e faixas pedirão "Mais segurança para nossos filhos e famílias".

"Quase todo dia há um relato de pais dos colégios da região sobre a violência sofrida no trajeto para levar as crianças para escola. Chegamos no tempo em que nós, pais e crianças, não nos sentimos seguros. Adolescentes não podem andar a pé, pois são assaltados; moradores nos semáforos são surpreendidos por motos de assaltantes. Um grupo foi criado por nós, mães do Colégio Anglo Morumbi, e de diversos colégios da região, para, unidos, pedirmos basta na violência. Somos quase mil integrantes", diz Alessandra Soares Munford, de 50 anos, bióloga e mãe de um aluno de 13 anos.

Embora o policiamento no entorno seja responsabilidade do poder público, as escolas também buscam soluções por conta própria.

"Alteramos os horários da segurança para que tenhamos mais profissionais no fim do dia, período em que a sensação de insegurança aumenta. De tal forma que teremos profissionais na porta da escola e na esquina da Rua Brasília, local no qual alguns pais deixam seus carros", descreve Wagner Borja, diretor do Colégio Gracinha, no Itaim-Bibi. Ele diz não ter recebido relatos de assaltos como no Morumbi, mas preferiu se adiantar no incremento da segurança.

O Colégio São Domingos, em Perdizes, zona oeste, enviou em fevereiro e-mail às famílias de alunos alertando sobre furtos e assaltos no bairro. Entre as recomendações, estavam evitar deixar celulares expostos e andar acompanhados ou em grupos. Procurada, a diretoria da escola não quis comentar. Segundo relatos, grupos cercam e intimidam estudantes em ruas próximas atrás de dinheiro ou do celular.

O Conselho de Segurança (Conseg) da região fez reunião na última semana para debater o problema. "Pautamos a questão do entorno das escolas e teve adesão muito grande dos moradores", afirma Josué Paes, presidente do Conseg Perdizes Pacaembu.

"Também reforçamos a possibilidade de agendar palestras em que a própria Segurança Pública vai falar com as famílias e seus filhos. É importante a sociedade 'compor' com a segurança pública para tratar a questão em conjunto, criando uma rede de cooperação", acrescenta Paes.

Para Benjamin Ribeiro da Silva, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino de São Paulo (Sieeesp), se aproximar dos Consegs é importante. "Além da qualidade de ensino, as pessoas procuram segurança nas escolas. Este item às vezes aparece até em 1.º lugar na hora de tomar decisão", diz ele, que conta organizar simpósios para discutir soluções nos colégios privados.

No Colégio Agostiniano Mendel, no Tatuapé, zona leste, a aposta é unir uma equipe reforçada de controladores de acesso com a tecnologia. A direção diz ter mais de mil câmeras que monitoram o entorno e a estratégia de segurança inclui até equipamentos nos uniformes dos funcionários.

Secretaria diz que ampliou reforço escolar e patrulhamento

A Secretaria de Estado da Segurança Pública informou que a Polícia Militar intensificou a ronda escolar e também ampliou o patrulhamento por meio de radiopatrulhamento, Força Tática e Rocam (Rondas Ostensivas Com Apoio de Motocicletas). A pasta destaca ainda que os indicadores criminais reduziram no Estado nos últimos anos. Especificamente na capital, se comparados os dados de 2021 aos de 2019, os roubos de veículo, por exemplo, diminuíram 5,25%; os roubos de carga 25%; os furtos outros 7,5%; e os furtos de veículos 2,3%. Já os crimes contra a vida permaneceram estáveis.

A Polícia Militar informou que o "policiamento Ostensivo Escolar é realizado junto aos estabelecimentos de ensino e em suas proximidades, voltado a atender as necessidades de segurança da comunidade escolar".

A corporação diz ainda que é "considerado um programa de policiamento complementar a ser implantado mediante critérios de necessidade e disponibilidade". Ainda conforme a PM, essa é uma das formas de policiamento preventivo.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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