quinta-feira, 5 de maio de 2022

Rússia cita armas e ataca ferrovias; UE propõe proibir petróleo russo

A guerra na Ucrânia já dura 70 dias

© Reuters


SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Ministério da Defesa da Rússia, em relatório divulgado nesta quarta-feira (4), informou que atacou ferrovias na Ucrânia. Segundo o ministério, os pontos atacados permitiam que o "grupo de tropas ucranianas no Donbass [área separatista no leste] fosse abastecido com armas e munições fabricadas nos Estados Unidos e em países europeus". O leste ucraniano é o principal foco russo da guerra no momento. 

A empresa ferroviária da Ucrânia confirmou ataques a seis estações no centro e no oeste da Ucrânia, que aconteceram na noite da terça-feira (3). A Rússia desativou as estações atacando a área de abastecimento de energia delas.

O ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, comentou hoje que qualquer transporte dos Estados Unidos e países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) "que chegue com armas ou material para as necessidades das Forças Armadas da Ucrânia é considerado por nós como um alvo legítimo de destruição". A Rússia também anunciou hoje ter feito novos ataques a partir de um submarino.

Sem indicar se os locais atacados eram utilizados para o transporte de armas, o Ministério da Defesa da Ucrânia relatou hoje que aconteceram ataques ao setor de transporte. "A fim de destruir a infraestrutura de transporte da Ucrânia, o inimigo disparou mísseis contra instalações nas regiões de Dnipropetrovsk, Kirovohrad, Lviv, Vinnytsia, Kiev, Zakarpattia, Odessa e Donetsk."

A guerra na Ucrânia já dura 70 dias. E, hoje, a UE (União Europeia) propôs banir a importação do petróleo russo. "Sejamos claros: não será fácil. Mas nós simplesmente temos que trabalhar nisso", disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, indicando que "será uma proibição completa de importação de todo o petróleo russo, bruto ou refinado".

A presidente disse que haverá uma "eliminação gradual do petróleo russo, de forma ordenada". Segundo ela, a UE eliminará o bruto dentro de seis meses e o refinado até o final de 2022. "Maximizar a pressão sobre a Rússia, minimizando o impacto nas nossas economias." A Rússia também fornece 25% do petróleo importados pelos países do bloco.

O anúncio foi feito com o sexto pacote de sanções contra a Rússia por causa da invasão ao território ucraniano. Também houve ações contra bancos e veículos de comunicação do governo russo. As emissoras foram identificadas como "alto-falantes que amplificam as mentiras de [presidente russo, Vladimir] Putin e a propaganda de forma agressiva". "Não devemos mais dar a elas um palco para divulgar estas mentiras", segundo von der Leyen.

Chefe de gabinete da Presidência da Ucrânia, Andriy Yermak disse que os "aliados precisam encontrar uma fórmula que agrade a todos e acerte a economia do agressor". "Isso acelerará nossa vitória comum sobre a Rússia."

A presidente, sem entrar em detalhes, também disse que foram listados "militares de alta patente e outros indivíduos que cometeram crimes de guerra em Bucha", em referência à cidade próxima a Kiev onde corpos foram encontrados pelas ruas após a retirada das tropas russas, no final de março. "Nós sabemos quem são vocês. E serão responsabilizados."

Chefe da Igreja Ortodoxa russa, o patriarca Kirill também está no alvo da Comissão Europeia, que quer aplicar sanções contra ele. De acordo com documentos obtidos pela agência AFP, Kirill é descrito como um "aliado de longa data do presidente Vladimir Putin e se tornou um dos principais apoiadores da agressão militar" na Ucrânia.

O patriarca Kirill é o principal líder da Igreja Ortodoxa russa, que tem 150 milhões de fiéis no mundo, especialmente na Rússia. Em declarações recentes, o patriarca pediu a unidade russa em pleno conflito militar na Ucrânia. Kirill foi alvo de críticas do papa Francisco, líder da Igreja Católica, em entrevista publicada ontem.

Azovstal

Segundo o Ministério da Defesa da Ucrânia, "os ocupantes russos continuam lançando ataques aéreos e disparando contra nossas posições na área de Azovstal", em referência ao local na cidade portuária de Mariupol onde civis e combatentes estão abrigados em razão do avanço russo.

Em pronunciamento na noite de ontem, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que as tropas russas "estão tentando invadir o complexo". "É claro que continuaremos a fazer tudo para tirar todo o nosso pessoal de Mariupol e Azovstal. É difícil. Mas precisamos de todos que estão lá: civis e militares."

O governo russo voltou a negar hoje que esteja atacando Azovstal, mas que está reprimindo tentativas de ucranianos no complexo de acessar postos de tiro.

Limpeza

A Ucrânia também está acusando os russos de forçar os moradores da cidade a desmontar bloqueios e limpar as ruas para um suposto desfile da Rússia, imaginado para o dia 9 de maio. Segundo o Centro de Comunicações Estratégicas e Segurança da Informação, do governo ucraniano, um representante do gabinete da Presidente da Rússia já chegou a Mariupol. A informação não pôde ser verificada com fontes independentes.

De acordo com o Ministério da Defesa da Ucrânia, "Mariupol deve se tornar um centro de 'celebrações'". Segundo o ministério, os russos preparam uma "campanha de propaganda em larga escala" e usaram o dia 9 para mostrar "histórias sobre a 'alegria' dos moradores ao conhecer os ocupantes [russos]".

O ministro russo da Defesa não mencionou desfiles em Mariupol na próxima segunda-feira, mas indicou que haverá celebrações em 28 cidades da Rússia, envolvendo cerca de 2.400 tipos de armas e equipamentos militares e mais de 460 aeronaves.

Segundo Shoigu, o desfile na Praça Vermelha, em Moscou, dedicado aos 77 anos da vitória sobre os nazistas na Segunda Guerra Mundial, contará com a presença de 11 mil pessoas, 131 armas e equipamentos militares, e 77 aeronaves.

Porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov negou hoje que a Rússia vá declarar formalmente guerra à Ucrânia em 9 de maio. A invasão, hoje, é qualificada como uma "operação militar especial" por Putin. "Isso é um absurdo", disse Peskov, segundo a agência russa Tass.

"Mercenários"

Em meio à tensão com Israel gerada por declarações da Rússia, o ministério russo das Relações Exteriores disse que "mercenários israelenses" lutam na Ucrânia ao lado do Regimento Azov, que Moscou classifica como "nazista"

"Vou dizer algo que os políticos israelenses, sem dúvidas, não querem escutar, mas que talvez seja do interesse deles. Na Ucrânia, mercenários israelenses estão ao lado dos combatentes do Azov", disse Maria Zakharova, porta-voz do ministério, em entrevista à rádio Sputnik.

Fundado em 2014 por militares de extrema-direita e integrado posteriormente às Forças Armadas ucranianas, o regimento Azov é um dos adversários mais combativos das tropas russas, que iniciaram uma ofensiva militar na Ucrânia em 24 de fevereiro.

Os membros do grupo e outros combatentes ucranianos se recusam a entregar as armas em Mariupol, onde os últimos defensores da cidade estão entrincheirados na siderúrgica em Azovstal.

Ao afirmar que há israelenses lutando dentro do batalhão, Moscou alimenta a polêmica criada pelo ministro russo das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, que afirmou no domingo que Adolf Hitler tinha "sangue judeu", uma teoria desmentida pelos historiadores. A declaração provocou revolta em Israel, cujas autoridades a classificaram de "escandalosa, imperdoável e um horrível erro histórico".

Na terça-feira (3), o ministério russo das Relações Exteriores aumentou a polêmica ao acusar Israel de "apoiar o regime neonazista de Kiev". O presidente ucraniano é judeu.

Corpos encontrados

Entre ontem e hoje, mais 20 corpos de civis foram encontrados em Borodianka, na região de Kiev, a capital da Ucrânia, que esteve parcialmente ocupada por várias semanas pelas forças russas, informou a polícia ucraniana. No total, até o momento, foram encontrados 1.235 corpos.

Movimentação

A inteligência do Ministério da Defesa do Reino Unido disse que há movimentação das forças russas na cidade de Izium, na região de Kharkiv, leste da Ucrânia. "A Rússia mobilizou 22 grupos táticos de batalhão perto de Izium em sua tentativa de avançar ao longo do eixo norte do Donbass."

Para os britânicos, "a Rússia provavelmente pretende prosseguir além de Izium para capturar as cidades de Kramatorsk e Sievierodonetsk". "A captura desses locais consolidaria o controle militar russo do nordeste de Donbass e forneceria um ponto de partida para seus esforços para cortar as forças ucranianas na região."

A Ucrânia, por sua vez, também tem observado a situação em Belarus, país vizinho que é aliado da Rússia. Há o temor de que os belarussos se juntem às forças russas em novas ofensivas.

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