domingo, 8 de maio de 2022

Família afirma que policiais militares mataram jovem com deficiência no Rio

 

Segundo Renan Alves, irmão do jovem, ele havia ido cortar cabelo na comunidade do Café, na zona norte, quando foi baleado. Moradores disseram à família que quatro policiais desceram de um veículo e começaram a efetuar disparos.

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MATHEUS ROCHA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A família de Ruan Limão do Nascimento, 26, afirma que policiais militares à paisana e em veículo descaracterizado mataram o jovem no começo da noite desta sexta-feira (6), no Rio de Janeiro.


Segundo Renan Alves, irmão do jovem, ele havia ido cortar cabelo na comunidade do Café, na zona norte, quando foi baleado. Moradores disseram à família que quatro policiais desceram de um veículo e começaram a efetuar disparos. Ruan, que tinha deficiência intelectual, foi atingido na região do tronco.


"Sexta-feira aqui fica lotado e as pessoas que estavam na rua contaram que, entre 18h30 e 19h, um carro vermelho com quatro policiais de fuzil chegou dando tiro. Não teve confronto nenhum. A única coisa que teve foram tiros que pegaram no meu irmão", diz Renan, acrescentando que os agentes não usavam uniforme.


Em nota, a Polícia Militar confirma que policiais do serviço reservado do 4º batalhão atuaram na comunidade do Café para verificar o comércio ilegal de cobre. Segundo a PM, os agentes dizem que houve confronto durante a abordagem.


"Após cessar a situação, houve apreensão de uma granada, um rádio comunicador e 240 papelotes de crack. Um homem ferido foi encontrado e socorrido ao Hospital Municipal Souza Aguiar. A ocorrência foi encaminhada para a 17ª DP e depois para a Delegacia de Homicídios da Capital."


A corporação afirma ainda que ouviu os policiais envolvidos na ação e que instaurou um procedimento para apurar os fatos.


Segundo Renan, os agentes saíram da comunidade levando Ruan no porta-malas do carro. "A partir daí, a gente ficou sem informação sobre para onde ele foi levado. A gente deduziu que ele estava no hospital Souza Aguiar, mas ninguém falou nada. Como a minha mãe estava desesperada, ela foi no primeiro hospital que veio na cabeça."


Ao chegar à unidade, a família descobriu que o jovem de fato havia sido encaminhado ao hospital, mas que não resistiu aos ferimentos. "Estamos arrasados. É tristeza demais. A gente só quer justiça. Ele era uma pessoa pura. A única coisa que a gente pode pedir por ele neste momento é justiça."


Procuradora da Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Mariana Rodrigues diz que o órgão buscará imagens de câmeras de segurança e pedirá ao hospital Souza Aguiar informações sobre se o jovem chegou com vida ou não à unidade.


Para ela, o socorro prestado foi inadequado. "Já podemos dizer que esse procedimento é errado. Se ele de fato tiver sido colocado na mala, é um absurdo total. Tirar o corpo e fazer o socorro é ter o mínimo de cuidado no translado. Pelos relatos das pessoas, colocar em uma mala deixa a impressão de que tentaram desfazer a cena do crime", afirma Rodrigues, que é advogada da família.


De acordo com Renan, o jovem foi diagnosticado com retardo mental leve ainda bebê. "Ele ia fazer 27 anos, mas tinha a mente de uma criança de 12, 13 anos. Ele era uma pessoa pura, maravilhosa. Era alguém muito querido."


O jovem morava na Barreira do Vasco, comunidade que fica em frente à localidade do Café, onde ele foi baleado. "Ele conhecia todo mundo. Não tinha uma pessoa que não o conhecesse."


O Vasco da Gama lamentou, nas redes sociais, a morte de Ruan, que era vascaíno. "É com enorme pesar que recebemos a notícia da morte de Ruan do Nascimento, na noite de ontem, na Barreira do Vasco. Ruan era símbolo de alegria e amor ao clube. Desejamos força aos familiares e amigos, e que o caso seja apurado e a justiça seja feita."

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