O projeto de lei PL 3237/15, atrelado à polêmica CPI dos Crimes Cibernéticos, é uma ameaça aos pontos de acesso WiFi gratuitos no Brasil. O autor da lei é o deputado Vinicius Carvalho (PRB-SP), que exige no texto que o “administrador de sistema autônomo que preste serviço de conexão à internet disponível gratuitamente ao público em geral deverá manter cadastro atualizado dos seus usuários, de modo a permitir a disponibilização dos registros de que trata o § 1o, do art. 10 na forma prescrita por aquele dispositivo”.
Isso significa que qualquer um — empresa, instituição ou mesmo prefeitura — que ofereça acesso gratuito via WiFi será obrigado a cadastrar os usuários. Até o momento, essa proposta foi adiada por um pedido de vista, mas o deputado Carvalho reiterou que o "relatório da CPI dos cibercrimes recomendou que esse projeto fosse aprovado na sua integralidade".
Fim da privacidade?
O relator Fábio Sousa (PSDB-GO) concorda com o deputado Carvalho no que toca a exigência de um cadastro. Segundo Souza, "o Marco Civil trouxe um vazio legal que permite a atuação de criminosos na rede sem deixar rastro digital (...) Como consequência, indivíduos podem acometer toda sorte de crimes cibernéticos quando conectados a esses provedores menores com a certeza da impunidade, uma vez que seus registros de conexão poderão não ser guardados".
"Você será obrigado a registrar os seus dados em redes públicas"
Ou seja: cafés, restaurantes, bares, praças públicas, estações de metrô e até veículos de transporte coletivo que ofereçam WiFi gratuito, caso o projeto de lei seja aprovado, vão exigir que você cadastre os seus dados na rede para conseguir se conectar. Sobre dados, falamos em registros como CPF, RG e informações de notebooks e smartphones.
Você pode até pensar que isso é algo interessante, já que entrega ao Estado e empresas um controle maior sobre quem está utilizando a internet gratuita. Contudo, sobre qualquer projeto de lei — e sobre qualquer ação política tomada — é sempre necessário fazer uma pergunta, que vamos responder a seguir.
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| Vinicius Carvalho (PRB) |
A quem interessa?
É cada vez mais comum a notícia de que domínios partidários foram invadidos na internet. Além disso, também está ficando comum a exposição de dados de políticos corruptos. Por último, ferramentas que pretendem trazer mais transparência para a política também vêm ganhando força.
Como exemplo, temos o BrasiLeaks, uma plataforma que recebe de forma anônima denúncias e documentos sobre casos escusos em empresas e Estado. Ainda, diversas células da Anonymous vêm derrubando e expondo dados de políticos investigados de maneira sistemática.
No final das contas, pode parecer que um projeto de lei que exija o cadastro de usuários em redes gratuitas tente ser uma busca para enfraquecer tais movimentos de exposição.



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